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Tuiuti Brigadeiro Sampaio, em sua última batalha

Foto representativa da batalha de tuiuti de C.lopez
Anoitecia, em 23 de maio de 1866, no acampamentode Tuiuti. Lá pelas 20 horas, o toque de “recolher”. Todos os corpos entraram em forma e, após a chamada,os sargentos levaram as companhias à “frente da bandeira”,para rezar o terço.
Algumas praças, com voz vibrante cantaram a velha oração do soldado brasileiro, enquanto algumas bandas acompanharam a grande prece ao luar do céu paraguaio. Toca “ajoelhar corpos” todos caem de joelho e, mãos postas, entoaram o “Senhor Deus, misericórdia”. Toca silêncio
e corneteiros-mór do 7º de Voluntários, “como um hino de saudade” terminando lento, suave e triste até morrer na escuridão.Claro e sereno, amanhece o dia 24. Tocou“faxina”. Os sargentos distribuem as praças.Ensarilham as suas armas alguns soldados do 4º de Infantaria e saem em busca de lenha. Passava o tempo lentamente, ainda são10 horas. Um soldado chega correndo diante de seu alferes e, de mão à pala, fala em voz timbrada: “o mato está vermelhando de caboclos”.O alferes penetra na mata se esgueirando por trilhas tortuosas e, de longe, pôde ver, por entre as folhas meio ocultos pelas árvores, vultos vermelhos de barretina de sola preta: eram
os paraguaios.Sem ao menos esperar,uma granada estoura sobre a cabeça dos soldados. AoTodos correm às armas.
A Divisão de Infantaria, do General Antonio Sampaio entra em forma rapidamente, e entra em linha para receber a carga de um Regimento de Cavalaria que, no galope,alcança as duas primeiras companhias, sem conseguir rompê-las – tampouco retrocede. Os paraguaios derivam
para a esquerda e recebem a fuzilaria da Infantaria brasileira.
O terreno alagadiço faz os cavalos do trote passarem ao passo, com seus cavaleiros sendo abatidos um a um. As suas lanças e espadas já não tinham valor. À esquerda do 4º Batalhão, lutava o 6º de Voluntários, que recuava. Foi quando seu Comandante estacou o cavalo e, em pé nos estribos, com a sua espada na horizontal bradou: “alto-frente!”. De imediato, ouviu-se da corneta o toque de“avançar”. As baionetas estavam prontas. O 4º de Infantaria avançava com as suas baionetas apontadas para o inimigo. As duas linhas se chocaram e as baionetas penetraram no peito dos bravos soldados de López, outros, foram feridos nas costas. Das linhas dos veteranos
do 4º Batalhão, ouve-se um viva delirante ao 6º de Voluntários que, a sua esquerda, levava o inimigo de roldão, mas novas colunas “vermelhas” montadas em pequenos cavalos, de grandes lanças em vista ou brandido espadas curvas e afiadas, avançavam a galope, em alarido assustador, sobre a Infantaria brasileira já um tanto desordenada pelas repetidas cargas recebidos. De repente, pelo campo de batalha, a notícia: Sampaio fora ferido. No entanto, a bandeira do 4º de Infantaria continuava a tremular. O mesmo ocorria com o 6º de Voluntários. Subitamente o alferes porta bandeira inclina-se para frente, e o seu talabarte de veludo verde empapa-se de sangue. A bala paraguaia atravessara o jovem coração. A bandeira não cai: as mãos de um Cabo agarra a sua haste e mantém-na
alvo direto em Sampaio e atinge o seu cavalo. O General, à frente de seus soldados, a pé, de
espada no ar, gritava: Avança! Avança! Outro tiro rompeu-lhe a folha da espada, mas ele
continuava gritando: Avança! Mata!Mata!
Sampaio recebe a espada do alferes que estava a seu lado. “Senhor, é uma espada brasileira”, dissera-lhe o jovem oficial.Mal recebera a espada,uma bala fere-lhe o peito e, logo em seguida, uma outra pelas costas. Ouve-se um grito de júbilo: “Matei o General brasileiro!” E não mais falou: uma bala entrou-lhe pela boca. Um tiro certeiro do jovem alferes.Já ferido, Sampaio recebe ordem de Osório para continuar resistindo de qualquer maneira. Sampaio pede-lhe um substituto por estar muito ferido. E naquele momento, em que fazia o apelo ao oficial enviado por Osório, uma terceira bala acerta o grande General. Coloca a sua mão sobre o ferimento,
e dirigindo-se ao Oficial pediu: “Diga ao General que este é o terceiro”.
Quarenta e três dias depois, morria Antonio de Sampaio, ao ser transportado para Buenos Aires em estado desesperador. Faleceu Sampaio a bordo do “Eponina”, no dia 5 de julho de 1866.
Postado por Amaro
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